Sem dúvida alguma, a tecnologia vem fazendo grandes mudanças na medicina e no tratamento de diversas doenças. Nunca estivemos tão perto de descobrir a cura para doenças como o câncer ou a AIDS e as inovações não param por aí.  Atualmente, podemos falar, inclusive, de uma pílula digital, ou seja, um remédio digital.

O que é a pílula digital?

A Agência Federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos aprovou em 2017 essa nova tecnologia. Com esse produto, o paciente não precisará mais ingerir os medicamentos por via oral. As substâncias são enviadas por meio de sinais eletrônicos, nas doses exatas, para um adesivo que fica preso ao corpo.

Sem dúvida alguma esse inovação tem grandes possibilidades de melhorar a saúde dos pacientes, especialmente por programar os horários e as doses certas dos medicamentos, oferecendo maior eficácia ao tratamento. Mas há também um outro problema que surge: a proteção dos dados desses pacientes e novas tecnologias para impedir a invasão de hackers no sistema.

Como ela funciona?

Outro importante benefícios que essa tecnologia nos traz é o fato de informar aos profissionais de saúde quando o paciente já tomou o medicamento prescrito para o dia. Nesse caso, um sensor (que é do tamanho de um grão de areia) é colocado dentro da pílula que será ingerida pelo paciente. Ao entrar em contato com as substâncias típicas do estômago como o ácido clorídrico, esse sensor envia um sinal eletrônico.

O adesivo do qual falamos acima é o responsável por detectar essas informações enviadas pelo sensor e deve ser trocado a cada 7 dias. A partir desse momento, sinais eletrônicos são enviados para um aplicativo no smartphone registrando o horário e a data em que o medicamento foi ingerido.

Esse tipo de tecnologia está sendo implantada, principalmente, em pacientes psiquiátricos. O medicamento aprovado foi o aripiprazol, um tipo de antipsicótico bastante utilizado em pacientes com transtorno bipolar, depressão e esquizofrenia.

Sendo assim, é uma ótima forma de controlar a superdosagem ou mesmo a interrupção do tratamento por parte do paciente como costuma acontecer. Ele passa a se sentir melhor graças à medicação e para de usá-la.

Ainda não é certo de que essa inovação tecnológica na saúde possa ajudar. Segundo a agência federal, ainda não há pesquisas que mostrem a efetividade de fato desse novo tipo de tratamento. O objetivo é que o paciente tenha uma maior adesão a ele, mas isso ainda não foi comprovado. A aprovação se deu pelo grande potencial disso tornar-se realidade.

A pílula digital foi desenvolvida por duas empresas: a Proteus Digital Health e a Otsuka Pharmaceuticals. Segundo elas, essa novidade só estará sendo utilizada em um pequeno grupo de pacientes de algumas poucas especialidades médicas. É necessário fazer uma análise primeiro para saber quais os resultados para esse inovador tipo de terapia.

Como funciona o aplicativo?

Quando as informações chegam ao smartphone, o paciente pode escolher compartilha-las com o seu médico e com mais 4 pessoas de sua confiança como familiares. O ideal é que isso seja feito já que o principal objetivo da pílula digital é fazer com que as pessoas não deixem o tratamento antes de finalizado.

A ideia é que esses medicamentos sejam levados, principalmente, para os pacientes portadores de doenças crônicas como a hipertensão, o diabetes, a AIDS e outras. Como são doenças que exigem medicação constante, a chance de esquecer um comprido é maior.

Quais os cuidados necessários?

Há alguns “poréns” que devem ser utilizados quando se trata da pílula digital. Por exemplo, apesar dela registrar o horário e a data da ingestão do medicamento, o profissional de saúde não terá como rastrear a droga em tempo real já que pode haver atrasos na disponibilidade desses dados.

Por conta disso, a pílula digital não é um recurso útil, por exemplo, para alertar sobre casos de emergência, como a superdosagem. As informações são excelentes para descobrir a causa do distúrbio, mas ainda assim os familiares precisam ficar em alerta quanto a esse possível acontecimento.

Outro cuidado é quanto ao uso do aripiprazol associado a antidepressivos. Nesse caso, a pílula digital não deve ser utilizada já que corre-se o risco do paciente desenvolver pensamentos suicidas.

Quais as possíveis consequências dessa tecnologia para o nosso dia a dia?

1. É uma tendência

Temos visto um crescimento significativo de produtos e serviços customizados e adaptados de forma individual. Como essa é uma forte tendência, ela também chegou aos medicamentos como a pílula digital. É uma ótima oportunidade para personalizar o tratamento de diversas pessoas e assim, analisando a necessidade de medicação de cada indivíduo.

Isso reduziria algumas deficiências próprias do sistema de saúde que é a de tratar todos os indivíduos como um só, prescrevendo por exemplo a mesma dosagem de medicamentos para várias pessoas. Assim, a tendência é que a pílula digital possa ser alterada automaticamente de acordo com a necessidade do paciente em um determinado momento.

2. Mais ameaças de hackers

Infelizmente, a tecnologia tem um ponto fraco: os hackers. Essas pessoas costumam invadir os sistemas de diversas empresas e roubar informações valiosas. Esse é um risco que o uso da pílula digital oferece.

Diversas informações do paciente estará na rede e isso pode ser um problema caso elas caiam em mãos erradas e de pessoas de má fé. A área da saúde está tentando encontrar uma solução com a maior segurança possível para driblar esse obstáculo, todavia, ainda há muito o que evoluir nesse aspecto.

3.  Maior humanização no atendimento

A tendência é que os pacientes deixem de ser vistos apenas pela patologia que possuem e passem a ser reconhecidos como um todo, como uma pessoa além da doença. A humanização do atendimento tem se tornado prioridade nos mais diversos setores de saúde e uso da pílula digital pode ajudar.

Quanto mais informações os profissionais tiverem de seus pacientes, mas o conhecerão de uma forma geral e poderão se familiarizar melhor com as necessidades destes.

4. Risco de mau funcionamento

Lidar com a saúde nunca é uma tarefa fácil, pois os riscos de um erro podem ser desastrosos. O mau funcionamento das pílulas digitais podem ocasionar uma série de problemas graves. Por exemplo, uso de medicamentos mais vezes que o necessário durante o dia ou mesmo não registrar a medicação que foi tomada.

5. Combinação de informações

Quanto mais informações sobre o paciente melhor para a equipe de saúde e mais eficiente torna-se o tratamento, não é verdade? Mas, o mais interessante desses dados é que eles podem ser cruzados e relacionados e assim, gerar ainda mais informações importantes sobre os pacientes.

Essa é mais um forma de proporcionar um atendimento individualizado e personalizado, melhorando assim o tratamento e até mesmo a prevenção de certas doenças.

6. Maior facilidade para monitorar

A não adesão ao tratamento de forma correta é um problema para o sistema de saúde. Afinal de contas, dinheiro é gasto com medicamentos para fornecê-los aos pacientes, mas muitos não tomam da forma correta ou, pior ainda, abandonam o tratamento. Isso pode fazer com que a doença tenha ainda mais complicações agravando o estado de saúde do paciente e necessitando de tratamentos médicos intensivos.

Portanto, ter um sistema no qual todos os dados sobre os horários das medicações tomadas são arquivados e ter a certeza de que o paciente está seguindo o tratamento como recomendado é uma grande vitória.

7. Melhora a saúde pública

Pacientes que não aderem ao tratamento da forma que deveriam, acabam se tornando um custo ainda maior para o sistema de saúde. Afinal de contas, se não houver a cura da patologia, o paciente continuará necessitando do atendimento médico e mais medicamentos e tudo isso tem um custo elevado. Os prejuízos causados chegam a 100 bilhões de dólares por ano nos Estados Unidos!

Portanto, a possibilidade de registrar o horário e o dia no qual o paciente tomou a medicação é uma forma de minimizar os problemas de saúde pública dentro de um território. Com a pílula digital fica mais simples saber, exatamente, como o paciente está levando o tratamento e alertá-lo caso não esteja aderindo como deveria.

8. Melhor controle

Ao ter as informações de que o paciente está seguindo o tratamento da forma como foi recomendado é possível avaliar melhor se o tratamento está sendo ou não eficaz. Caso o uso da medicação esteja de acordo com a prescrição e ainda assim  não consegue oferecer os resultados esperados, essa é uma informação importante, pois pode ser necessária a troca de medicação.

Como podemos ver, a pílula digital ainda precisa ser bastante debatida entre profissionais, pesquisadores e pacientes. Como ela ainda não oferece total segurança, mas pesquisas são necessárias para garantir a saúde e a segurança dos dados dos pacientes.

Além disso, mexe também com o direito de privacidade do paciente já que ele abrirá mão de informações particulares, ainda que seja para a melhora da sua saúde. Também pode ser um risco para uma relação ética entre os pacientes e os médicos. É preciso aguardar novidades de novos estudos para o futuro e descobrir se essa nova tecnologia é realmente tão eficaz quanto se espera.

Compartilhe essa novidade nas redes sociais e deixe as pessoas mais informadas sobre as inovações em saúde!

Vertical Saúde ACATE

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