Difícil falar em eficiência e eficácia sem pensar em tecnologia. Na Saúde, essa premissa não é diferente. Trabalhar com a vida humana requer uma constante atualização e renovação do conhecimento, de infraestrutura e de formas de pensar.

É por isso que a Internet das Coisas (IoT) chega ao setor da Saúde no Brasil para ficar. O conceito abrange aplicativos, dispositivos, equipamentos e já apresenta soluções que estão otimizando processos de gestão no setor. Apesar de estar em desenvolvimento em vários países, no Brasil ainda dá os primeiros passos.

Está proliferando uma quantidade de empresas que atuam na área de internet das coisas (IoT), na parte de plataformas, equipamentos e aplicações voltadas para o setor da saúde.

Mas antes, o que é Internet das Coisas?

O termo “Internet of Things” ou “Internet das Coisas” trata de uma nova revolução tecnológica onde cada vez mais dispositivos, equipamentos e objetos são conectados uns aos outros por meio da internet. Deste modo, é possível ter acesso a informações úteis de forma remota e instantânea – o que antes não era possível.

A internet das coisas fora do Brasil já possui inúmeras aplicações voltados para o setor da Saúde, desde monitoramento remoto até sensores inteligentes que se integram à dispositivos médicos ou plataformas online. No Brasil, alguns hospitais de referência – Albert Einstein, Rede D’Or, Icesp – somente do ano passado para cá é que começaram a colocar isso como requisito de compra. É algo muito recente, estamos saindo de uma fase muito embrionária, confirma Douglas Pesavento, CEO da Sensorweb, quando exemplifica o uso da IoT para equipamentos integrados ao sistema de gestão hospitalar.

O potencial da IoT na Saúde

No mais, o potencial da IoT está para além de auxiliar pacientes a ficarem saudáveis e seguros, ela também pode melhorar a maneira como os profissionais da saúde prestam atendimento a população. A Internet das Coisas voltadas para a saúde poderá melhorar o relacionamento dos pacientes com seus médicos, permitindo que eles passem mais tempo interagindo e isso otimiza a satisfação de todos.

Tudo parace ser bonito e cheio de flores pelo caminho, mas a IoT para a Saúde também tem seus obstáculos a serem refletidos e analisados. Afinal, estamos falando de uma evolução onde todos os dispositivos em futuro quase presente estarão conectados e disparando um número razoável de alertas, sem contar no volume e na segurança de dados coletados.

Desafio #1: Segurança de Dados

De acordo com artigo do médico escocês Des Spence, no British Medical Journal, os dispositivos vestíveis e apps de saúde são meros adornos comparáveis a brincos e colares. Para o médico de Glasgow, “Estes dispositivos e apps são incertos, os dados recolhidos não são confiáveis e muitos desses instrumentos não foram testados e não são científicos. A humanidade está perdendo tempo monitorando a vida em vez de vivê-la”. A segurança e privacidade dos dados são outras falhas apontadas por Spence.

Essa segurança é algo crítico no mundo inteiro, com casos de dados de planos de saúde e de hospitais que foram roubados ou extraviados, recuperados após o pagamento de milhares de dólares. Não há registro de casos de extravio de dados no Brasil, pelo menos na área de saúde. Mas é verdadeiro que há lacunas que vêm sendo corrigidas na infraestrutura de informação e telecom e de transmissão de dados. São coisas que atrasam a evolução da IdC, mas que obrigam a melhorar, tendo em consideração onde e como se guarda a informação, quem tem acesso a essa informação. São pontos críticos, requerem uma estrutura segura e fazem com que se trabalhe para melhorar a segurança dos dados e informações.

Desafio #2: Como gerenciar?

Um outro desafio acaba ficando mais voltado para o pessoal da TI e da Gestão Hospitalar: como gerenciar tantos dados e alarmes simultaneamente?

Por exemplo, a rastreabilidade de medicamentos está padronizada no exterior. Ou seja, existe uma tag associada ao medicamento que dá todo o movimento dele, como correu e que permite ativamente saber a localização dele. Esse é um dos itens que a Internet das Coisas tem mais crescido no Brasil, mas ainda é pouco utilizada, especialmente quando falamos de saúde pública, que ainda tem muito controle manual de medicamentos. A consequência desse “atraso” ou melhor desse jeito de trabalhar às antigas, faz com que a perda aumente, seja por vencimento ou por armazenamento em condições não adequadas. Algumas pesquisas apontam que temos 15 a 20% dos medicamentos falsificados, então a rastreabilidade dos medicamentos ajuda nesse tipo de controle também.

Quando falamos em Internet das Coisas, também falamos em sistemas que disparam alertas com o intuito de auxiliar profissionais de saúde a resolverem problemas na hora certa, entretanto, nos Estados Unidos ruídos sonoros já se encontra na lista dos 10 fatores que mais atrapalham a vida desses profissionais. Em pesquisa publicada, um único setor de um hospital pode disparar mais de 2 mil alertas, barulhos, bips, etc por dia. Esses ruídos quando em excesso faz com que o ouvido humano apenas o ignore, é uma necessidade fisiológica inerente ao ser humano. É por isso que quando falamos em dados e alarmes, estamos falando também de configuração para a necessidade do ambiente onde a Internet das Coisas será aplicada.

Um futuro mais que perfeito com a IoT?

Tempos atrás, Roberto Cruz, Pixeon, falou sobre como a Internet das Coisas pode ser (e já é) um dos novos pilares da saúde. Para ele, a Internet das coisas (IoT) é a comunicação entre “produtos do cotidiano” e a internet de forma a proporcionar ao usuário maior conforto e praticidade na hora de planejar atividades que dependam de alguma tecnologia. Dispositivos que lançam alertas, equipamentos programados para realizar uma determinada ação em determinado horário e com uma determinada periodicidade, ou os já famosos aparelhos para monitoramento e os dispositivos vestíveis.

Mas existem aplicações mais complexas de IoT, algo que seria mais futurista, como dispositivos subdérmicos colocados no paciente para monitorar os níveis de açúcar ou sensores ingeríveis, que controlam os efeitos de um medicamento. A internet das coisas pode proporcionar um conjunto de vantagens, que vão da área clínica à área financeira, reduzindo custos e aumentando a qualidade da assistência, diminuindo as perdas e os erros e majorando a eficácia dos tratamentos.

Por fim e não menos importante!

A Internet das Coisas para a Saúde já é vista como “a queridinha” pelo pessoal da engenharia clínica de hospitais e ambientes de grande porte da saúde como os hemocentros, por exemplo. Mesmo com um longo caminho a trilhar na segurança e na confiabilidade, sentimos que o futuro sem ela já não é mais possível de se enxergar. É hora de instituições, empresas e profissionais da saúde se permitirem a conhecer o novo. A internet das coisas por si só já é cheia de palavras aparentemente estranhas e que até então nunca foram estudadas nas salas de aula das graduações de saúde, entretanto, são com esses novos termos que desenvolvemos e desenvolveremos a tão falada Saúde 4.0.

Raabe Moro - Sensorweb

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